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PEIXE DE CHAPÉU

A morte do Arquiboto de Manaus

A morte do Arquiboto de Manaus

    Eram tempos difíceis, tempos de tensão, de desesperança, de terror, de desconfiança, de maldade, de medo, de guerra... a Grande Guerra. A Marinha do Brasil foi destacada para proteger o Estreito de Gibraltar, o Almirante Pedro Max Fernando Frontin foi avisado de que no local havia submarinos. Ao chegar a Gibraltar, o vigia do Cruzador Bahia, Carlos Eduardo Barreto, assumiu seu posto. Todos estavam tensos, cheios de pavor, pressão, desespero e medo do inesperado. Com isso, Carlos Eduardo avistou algo na água, parecia um periscópio, então ele deu o aviso de submarino. Isso fez o almirante dar a ordem de atirar em direção à água, mesmo estando escuro.

    O tiroteio foi intenso, e todos atiravam às cegas. O desespero e o medo são visíveis em seus rostos. Assustados, tentavam abater o inimigo oculto e descarregavam suas armas no vazio, mas o seu alvo não era alemão, e sim em bando de toninhas que gritavam de desespero e temiam por suas vidas. Os tiros continuaram até que viram sangue. Ao olhar para a água perceberam a besteira que fizeram: lá estavam os corpos dos animais.

    A guerra terminou pouco tempo depois, os marinheiros voltaram ao Brasil, e Carlos Eduardo foi enviado ao norte para proteger a costa do Amazonas. Ele se lamenta de sua confusão toda vez que olha para água.

    Contudo o massacre teria consequências, já que os gritos das toninhas foram ouvidos por golfinhos no Atlântico que em sua revolta espalharam a notícia para todos os cetáceos dos oceanos, mares, lagos e rios do globo. Aquilo gerou ira entre aqueles animais e isso trouxe pensamentos de morte e carnificina. Todos planejavam vingança, até que o ocorrido chegou ao conhecimento do Arquiboto de Manaus. Ele organizou tudo, golfinhos atacaram pessoas nas praias, botos atacaram nos rios e as baleias afundaram barcos e navios, então assim o fizeram.

    Os animais agiam e atacavam com extrema sanguinolência e ira. Com seus corações tomados pelo ódio eles matavam todos que viam, até mesmo mulheres, crianças, idosos e deficientes sem fazer distinção de nada, apenas matavam. Isso gerou um enorme temor em todos, chegando até a loucura, a neurose e ao desespero paranoico. Esse medo profundo chegou ao extremo e fez até mesmo que pessoas se suicidassem. Mas havia aqueles que não entendiam o medo daquelas pessoas, pois eram apenas botos malucos e para resolver o problema bastava apenas um bom fuzil.

    Por conselho dos calmos e para acalmar os que temiam, a marinha foi destacada para guardar as águas da costa e dos rios. Um dos marinheiros na guarda era Carlos Eduardo Barreto, agora de fuzileiro.

    Ele estava em um esquadrão no rio Jutaí quando o vigia avistou botos. Carlos Eduardo olhou para a água e viu um deles trajado como um general, identificou assim que se tratava do Arquiboto de Manaus. Pegou seu fuzil e mirou bem, esperando e melhor momento para abrir fogo. Quando o Arquiboto abaixou sua cabeça para mergulhar, Carlos Eduardo puxou o gatilho e a bala viaja até a caixa craniana e a perfura de um lado a outro passando pelo encéfalo e manchando a água com muito sangue.

    Quando confirmado que o corpo estava sem vida, os outros botos foram-se embora para nunca mais fazer mal algum as pessoas, e os marinheiros comemoraram cantando, dançando, gritando, agradecendo e bradejando vitória. Todos cantavam uma só canção em um momento de alegria e euforia que parecia que seria eterno.

 

Autor: Rafael Queiroz Alves dos Santos

Data: 2017


Contextualização 2024

    Diferente dos anteriores, este conto não era um trabalho de escola, era apenas um texto avulso que tive vontade de escrever pelo ânimo dos outros dois. A ideia veio durante uma aula, provavelmente durante uma aula sobre o contexto da primeira guerra mundial, e de alguma forma Arquiduque se misturou com Boto, provavelmente alguém falou errado, talvez até o professor, e a ideia veio a minha mente e acabei juntando isso com a primeira guerra mundial e a Batalha das Toninhas, que foi um evento na primeira guerra mundial onde a Marinha do Brasil dizimou um bando de Toninhas por ter confundido com um Submarino Alemão. Sim, para quem não prestou atenção nas aulas de história o Brasil participou da primeira guerra mundial. Nessa época minha sala tinha 10 alunos, dos quais haviam 1 menina e 9 psicopatas, ela era a única normal e o namorado dela era um dos mais doidos kkkkkk, isso deve dar uma ideia do ambiente em que eu estava inserido que proporcionou as condições psicológicas para a criação do conteúdo textual aqui presente kkkk. Esse conto não é tão bem escrito quando o segundo, talvez, não sei avaliar tão bem, mas é bem divertido de ler.