Eu estava passeando pela rua quando cheguei à praça. Como caminhava já há algum tempo, fui logo sentando em um banco ao lado de um homem que usava um terno amassado e um chapéu preto.
Fiquei observando em volta e vi crianças brincando de pique-pega, moças que passavam conversando e rindo, rapazes jogando bola na quadra, uma senhora jogando comida aos pombos, um senhor que passeava com seu cachorro, um casal de namorados sentado em outro banco, velhinhos fazendo caminhada, uma mulher com um carrinho de bebê indo em direção a um homem sorridente, também vi a beleza do céu azulado e um pipoqueiro com seu carrinho. Eu ouvi Bem-te-vis e outras aves cantando, as crianças que brincavam, o vento e um violonista que eu não conseguia ver.
Meu nariz estava entupido e por isso eu não sentia o cheiro das flores ou da pipoca do carrinho, mas não importava, pois, eu me perguntava se o guarda que estava por perto via as mesmas coisas que eu.
O homem assentado ao meu lado tinha um olhar fixo e distante, seus pensamentos pareciam estar longe dali. Ele mexia os lábios como se estivesse criando rimas. Então ele se levantou sem equilíbrio e esbarrou em uma moça. Tirou o chapéu e desculpou-se, mas ela saiu furiosa dali. Após isso, o homem colocou seu chapéu e foi embora cambaleando. Era apenas um bêbado que perdera o caminho de casa.
Senti um pingo de água em meu rosto e olhei para cima. Não entendi como o céu se fechou tão rápido. Senti outro pingo, e todos os que eu via começaram a ir embora depressa. Quando percebi que começava a chuviscar, abri meu guarda-chuva e fiquei observando as pessoas que iam apressadas se proteger.
A praça se esvaziara, então resolvi ir embora. Fui caminhando pela rua, mas sentia que estava sendo seguido, pensei que era apenas uma paranoia e não liguei, mas continuava com aquilo. Já com medo, olhei para trás e vi que não era paranoia, eu estava sendo seguido por um cachorrinho, um vira-lata, mas parecia manso. Chamei-o assobiando e se aproximou, o coitado estava magro e imundo. Levei-o para casa e dei um banho com xampu e com a água da chuva que caía. Quando seco coloquei um nome nele: Bisonho. Dei-o comida e fui agradecido com muita alegria.
Na hora de dormir, eu coloquei um tapete macio ao lado da minha cama e me deitei. Bisonho então se deitou no tapete e dormiu, percebi a felicidade que havia em sua alma, a calma de poder dormir quentinho em um lugar tranquilo. Senti-me alegre ao ver um ser tão indefeso que estava feliz sob meus cuidados. Logo fui dormir em paz.
Autor: Rafael Queiroz Alves dos Santos
Data: 05/05/2017
Continuação: 28/07/17
Contextualização 2024
É interessante como o texto é bem escrito mesmo sendo apensas o segundo conto que escrevi na vida com 16 anos. Não costumo elogiar meus próprios trabalhos, mas hoje consigo ver porque a professora pensou em me fazer lê-lo para a turma e como consegui manter a qualidade na continuação deste. Esse conto, assim como o primeiro, era um trabalho de escola onde deveríamos escrever um conto que terminasse com a frase "era apenas um bêbado que perdera o caminho de casa", a professora gostou bastante, e eu gostei tanto que estendi o texto original só por diversão, os meus colegas que leram essa versão estendida gostaram bastante também. Esse texto me deixou inspirado a escrever mais contos por conta própria e principalmente a criar histórias diversas e registrar histórias e acontecimentos reais, tentei continuar essa história com outros dois contos, mas eles eram muito ruins e acho que não vou nem postar kkkkkk.